25 contos de Machado de Assis grátis no MEC Livros (256 pág.)

25 contos de Machado de Assis grátis no MEC Livros (256 pág.)
Foto de Array via Pixabay

Sai do papel e vai pra leitura: uma coletânea com 25 contos de Machado de Assis está de graça no MEC Livros. Os textos foram publicados a partir de 1870 em jornais cariocas como a Gazeta de Notícias, retratam o Rio de Janeiro do século XIX e, mesmo assim, continuam com comportamentos que a gente reconhece hoje: hipocrisia, corrupção, desigualdade social, relações de poder, escravismo e as jogadas que as pessoas usam pra enganar a si mesmas e aos outros.

25 Contos reúne os textos mais conhecidos e os menos lidos — veja como acessar grátis no MEC Livros

A coletânea 25 Contos tem seleção e organização da professora Nádia Battella Gotlib e fica disponível gratuitamente na biblioteca digital do Ministério da Educação, o MEC Livros. Dá pra acessar sem complicação, desde que você tenha conta Gov.br.

No MEC Livros, o livro aparece como: 25 Contos — Machado de Assis, com 256 páginas e a partir de 14 anos. Você pode abrir pelo site meclivros.mec.gov.br ou pelo app “MEC Livros”, usando a sua conta Gov.br.

Uma seleção de 25 contos e 256 páginas: a distância de mais de 150 anos não atrapalha

Esses 25 contos saem de diferentes coletâneas do autor, mas a edição do MEC Livros mantém os textos como uma versão íntegra, sem adaptação. A proposta funciona para dois tipos de leitor: quem está começando com Machado agora e quer entender o estilo dele rapidinho, e quem já conhece os romances e quer ver como o mesmo autor se comporta quando o espaço é menor.

O que você encontra pela coletânea? Temas que atravessam Machado de Assis como patriarcado, machismo, escravismo disfarçado, desigualdade entre gêneros, egoísmo e hipocrisia social. E o mais importante: esses assuntos aparecem sem discurso moralizante. Machado não “condena” personagens o tempo todo. Ele descreve com precisão e ironia, e deixa você perceber por conta própria. É exatamente essa leitura que faz os contos virarem espelho do presente.

4 contos pra conhecer antes de abrir “25 Contos”

O MEC Livros destaca quatro títulos como ponto de partida. Olha o que cada um entrega:

A Igreja do Diabo (1884)

O Diabo está cansado de agir “no modo bagunça” e resolve fundar a própria igreja: com doutrina, ritos e fiéis. Ele vai até Deus pra avisar a ideia, desce à Terra e começa a pregar uma religião cujo centro é uma regra direta: transgredir todas as leis divinas. No começo, dá certo.

Só que logo ele percebe o problema: os convertidos continuam fazendo boas ações escondidas, longe dos olhos alheios, nas ruas escuras. O Diabo volta a Deus e reclama. A resposta de Deus fecha o conto.

Esse é um dos contos mais citados de Machado e também um dos mais divertidos. Ele funciona como fábula, tem o diálogo entre Deus e o Diabo e termina com uma conclusão sobre a natureza humana — incapaz de ser completamente boa ou completamente má. É leitura curtinha, daquelas que ficam na cabeça.

A Cartomante (1884)

Camilo e Rita vivem um caso. Rita é casada com Vilela, que ainda por cima é melhor amigo de Camilo. Com o tempo, Rita começa a consultar uma cartomante. Camilo, que se acha racional e “acima dessas coisas”, chama aquilo de bobagem.

Aí ele recebe um bilhete anônimo que pode significar que o caso foi descoberto. Mesmo assim, Camilo vai até a cartomante e sai aliviado com a resposta que recebe. O conto termina de um jeito que o leitor não esquece.

A epígrafe do texto vem de Hamlet: “Há mais coisas no céu e na terra do que sonha nossa filosofia.” Machado usa essa frase pra montar uma armadilha bem certinha pro leitor. Por isso, A Cartomante costuma ser lembrada como um dos melhores contos da literatura brasileira.

Missa do Galo (1893)

Nogueira, já adulto, lembra uma noite da adolescência. Ele estava hospedado na casa de Meneses, amigo da família, onde Meneses tinha como esposa Conceição. Era noite de Natal e o casal esperava a missa da meia-noite. Só que Meneses tinha saído.

Conceição aparece na sala, e Nogueira e ela ficam conversando por horas. Aí o vizinho bate na janela pra chamar Nogueira pra missa. No dia seguinte, Conceição age como se nada tivesse acontecido.

Nada aconteceu “de fato”, no sentido literal. Mas o conto constrói tensão, desejo sugerido e ambiguidade narrativa. Você fica se perguntando: o que Conceição queria? O que Nogueira entendeu? E o que você, leitor, entendeu? Machado deixa tudo de propósito em aberto. Os subentendidos sustentam a história inteira, e é isso que torna o conto inesquecível.

Confissões de Uma Viúva Moça (1865)

Esse é um dos contos mais antigos da coletânea, publicado quando Machado tinha 26 anos. Nele, uma viúva jovem escreve cartas para uma amiga contando como ficou a vida depois da morte do marido.

Ela narra os avanços que recebe, as expectativas sociais que pesam e a pressão pra manter o luto dentro das “regras” que todo mundo exige. O conto é mais direto do que os textos da fase mais madura de Machado, mas já mostra o interesse dele pelos mecanismos sociais que apertam as mulheres — e pela diferença entre o que as pessoas sentem e o que elas conseguem demonstrar.

Por que ler contos — e não só os romances?

Machado de Assis costuma aparecer primeiro pelos romances: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba. Mas muita gente da crítica literária defende que o talento dele fica mais “concentrado” nos contos. Neles, não sobra espaço pra digressão. Cada frase carrega peso. A ironia também funciona como um corte mais preciso.

No fim, você sente que o conto diz mais do que explica. E isso fica mais fácil de perceber em uma leitura curta do que em uma narrativa longa.

Se você nunca leu Machado, os contos viram a porta de entrada mais rápida. E se você já leu os romances, eles funcionam como complemento: mostram outros ângulos do mesmo escritor.

Sobre a organização da coletânea

A seleção é de Nádia Battella Gotlib, professora de literatura brasileira da Universidade de São Paulo e autora de estudos sobre Machado de Assis e Clarice Lispector. Ter uma especialista organizando o volume ajuda a entender a lógica da coletânea: os 25 contos escolhidos cobrem diferentes fases do Machado.

Isso passa de textos mais jovens e diretos para contos em que a ironia e a ambiguidade ficam mais trabalhadas — aquele nível em que a leitura fica mais aberta e cheia de camadas.

Acesso no MEC Livros: conta Gov.br, empréstimo de 14 dias e limite de 2 por mês

Pra ler no MEC Livros, siga o passo a passo:

  1. Acesse meclivros.mec.gov.br ou baixe o app “MEC Livros” na loja de aplicativos
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  3. Pesquise por “25 Contos” ou “Machado de Assis”
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  5. O empréstimo dura 14 dias e permite devolução antecipada depois de ler 10% do livro
  6. O sistema limita 2 empréstimos por mês por CPF

Se você quiser ir direto ao ponto, pode acessar a obra no MEC Livros por este ACESSAR NO MEC LIVROS.

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