Sabe aquele orgulho de falar “certinho” o tempo todo? Então: até quem ensina português, corrige redação o dia inteiro e vive de regra e exceção, tropeça em pegadinhas bem comuns. E o pior é que algumas “correções” que a gente faz por impulso acabam virando erro.
Abaixo estão 5 erros de português que aparecem em conversas, em sala e até em textos de quem já domina a língua. Tem caso que parece totalmente errado, mas não é. Tem caso que muita gente confunde justamente tentando “acertar”.
“Fazem dois anos que não vejo ele”: o verbo impessoal que engana até quem ensina
Quando o “fazer” entra para indicar tempo, ele fica impessoal, ou seja, não vai para o plural. O certo é “faz dois anos”. Parece regra simples, mas escapa fácil. E acontece inclusive com quem corrige redação o tempo todo.
“Meio-dia e meia” está errado, né? Na verdade, não
Aqui a pegadinha é ao contrário: “meio-dia e meia” é a forma correta. O “meia” concorda com “hora” (que fica subentendida), não com “meio-dia”. Por isso, tem gente que vê o “meio” e já acha que precisa mudar — mas aí erra tentando ajustar.
Essa mesma lógica de “tentar corrigir no automático” também aparece em outras dúvidas parecidas, como a troca entre mim e eu.
“Vou assistir o jogo”: a regência que separa o formal do informal
No uso mais formal, o verbo “assistir” pede uma preposição quando a ideia é “ver”. A combinação certa é “assistir ao” jogo. No dia a dia, muita gente fala diferente e ninguém liga, mas em prova e redação a regência certa pesa.
“Se eu ver ele amanhã, eu falo”: a armadilha do futuro do subjuntivo
O jeito certo é “se eu vir ele amanhã”. O ponto está no futuro do subjuntivo: com “se”, o “ver” vira “vir”. E sim, dá confusão fácil porque “vir” também existe como verbo em outros contextos, tipo aquele “ir e vir”. A língua adora essas armadilhas gêmeas.
E, quando o assunto é regra que confunde, muita gente também acaba mexendo sem perceber em pontos da reforma ortográfica — o tipo de detalhe que volta em prova e em correção.
A crase que a escola ensinou errado (ou explicou mal)
Tem dois casos bem comuns que desmontam a confusão. “Vou à academia” leva crase porque a preposição “a” se encontra com o artigo feminino “a”. Já “vou a casa” (sem especificar) não leva crase. É por isso que esse tema vira debate eterno: professor em grupo de conversa discute, revisa, corrige… e o assunto sempre volta.
Se você quer parar de errar por impulso, vale revisar os casos de crase com calma. Não é “decorar por decorar”. É entender quando “a” vira encontro e quando fica sem motivo para juntar.
No fim, fica o alívio: se até quem ensina tropeça, você também pode relaxar. A língua portuguesa não “erra” — ela só gosta de complicar. E essas mesmas regras aparecem em avaliações sérias, inclusive nas que passam pelo critério de quem avalia as redações do Enem.
