9 de julho: origem na morte de 4 estudantes em SP e MMDC

origem do feriado de 9 de julho
Imagem gerada por IA — origem do feriado de 9 de julho

O feriado de 9 de julho, que vale só para o estado de São Paulo, é lembrado como o marco do começo da Revolução Constitucionalista de 1932. Mas existe uma história mais amarga por trás da data: dois meses antes, quatro estudantes paulistas morreram em um confronto com a polícia durante um protesto contra o governo de Getúlio Vargas. A tragédia virou símbolo — e até hoje aparece em ruas, escolas e memoriais.

Os quatro estudantes que deram nome ao movimento MMDC

Na noite de 23 de maio de 1932, um grupo de manifestantes tentou invadir a sede da Liga Revolucionária, uma organização ligada ao governo de Vargas, no centro de São Paulo. A reação armada dos ocupantes do prédio deixou pelo menos onze feridos e terminou com a morte de quatro jovens.

Os mortos foram Mário Martins de Almeida, Euclydes Bueno Miragaia e Antônio Américo de Camargo Andrade, que morreram no local. Já Dráusio Marcondes de Souza tinha apenas 14 anos e morreu cinco dias depois, por causa dos ferimentos.

O caso também teve um quinto jovem: Orlando de Oliveira Alvarenga. Ele foi baleado na mesma noite, mas morreu meses depois, em 12 de agosto. Mesmo assim, ele não ficou associado à sigla original.

Por que a sigla MMDC nasceu de uma tragédia estudantil

Os nomes dos quatro mortos deram origem ao que o movimento ficou conhecido: as iniciais de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo formaram o acrônimo MMDC.

Em seguida, o símbolo saiu do luto e ganhou forma institucional. A organização civil foi oficializada pelo governador Pedro de Toledo, por meio do Decreto Estadual nº 5.627-A, de 10 de agosto de 1932.

A partir daí, o MMDC passou a organizar apoio popular, treinar civis e arrecadar recursos para o levante armado que, em 9 de julho daquele ano, se tornaria a Revolução Constitucionalista.

23 de maio de 1932

Data da manifestação em que os quatro estudantes foram mortos no centro de São Paulo — dois meses antes do início da Revolução Constitucionalista.

14 anos

Idade de Dráusio Marcondes de Souza, o mais jovem dos quatro estudantes mortos e que dá nome à letra “D” da sigla MMDC.

O que essa história ainda ensina sobre cidadania nas escolas

Os restos mortais dos quatro estudantes estão no Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, no mesmo mausoléu em que ficam outros combatentes da Revolução. Além disso, em 2011, uma lei federal — Lei nº 12.430 — mandou incluir os nomes de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo no Livro dos Heróis da Pátria, que é mantido pelo Ministério da Defesa.

Na cidade, a memória também ficou espalhada no mapa. No bairro do Butantã, existem ruas com o nome de cada um dos quatro jovens. E na região da Mooca, uma escola leva as iniciais do movimento em sua identidade.

Em sala de aula, o episódio ajuda a fugir do “9 de julho só como guerra”. Professores de História e também de Ensino Religioso ou Cidadania podem discutir participação política juvenil, os limites da repressão estatal e como memoriais e nomes de rua preservam versões específicas de um mesmo acontecimento.

Uma data sem consenso até hoje

O MMDC também continua gerando discussão. Em 2004, a Lei Estadual nº 11.658 tentou incluir a inicial de Alvarenga, criando a variante MMDCA e estabelecendo 23 de maio como “Dia dos Heróis MMDCA”.

A proposta foi contestada por historiadores que defendem a manutenção da sigla original, já consagrada desde 1932. No fim, o caso mostra como até símbolos de datas cívicas que viraram tradição podem continuar sendo revisados e disputados por décadas.

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