Durante a votação da Lei nº 18.463/2026 na Câmara Municipal de São Paulo, a vereadora Rute Costa (PSD) subiu à tribuna para defender um reajuste de 3,51% para professores municipais — e soltou a frase que inflamou o debate: “Você querem aumento de 8 em 8 anos? Vem ser vereador, então!”. O tema central foi o percentual ficar abaixo da inflação e, por isso, virar briga política e sindical.
O que a vereadora disse — e por que os números não batem
Rute Costa defendeu o reajuste de 3,51% e ainda citou que, no ano anterior, os professores receberam 2,55%. Para ela, o novo percentual seria um “avanço”. O argumento veio com uma ideia direta: como os vereadores ficam oito anos sem reajuste, então o aumento parlamentar não teria como “cobrir” a inflação acumulada no período.
Ela também lembrou que, além do salário, os parlamentares têm outras estruturas, como verba de gabinete, assessores comissionados e cotas para atividade parlamentar, entre outros.
Só que, quando esse raciocínio encontra os dados, a conta muda de figura. Em 2024, os vereadores de São Paulo aprovaram aumento de 37% nos próprios subsídios, o que empurra os vencimentos para mais de R$ 26 mil mensais a partir de 2025.
⚠ A matemática que a base governista não fecha
A lógica salarial dos professores fica apertada no período. Quem recebeu 2,55% em 2025 e vai receber 3,51% em 2026 acumula reajustes que, segundo o Sinpeem, ficam abaixo da inflação. A entidade afirma que a categoria sofre perda real de poder de compra. Enquanto isso, com o reajuste de 37% aprovado para os vereadores, o crescimento supera com folga índices inflacionários recentes.
“Vem ser vereador” — e o que essa frase escancara
O ponto levantado por críticos é estrutural: professores não escolhem a profissão para disputar eleição. Eles escolhem para ensinar. A cobrança aparece justamente na obrigação do Estado em preservar o valor real dos salários, com base na regra constitucional no inciso X do art. 37, que sustenta a própria Lei nº 18.463/2026 e fala em revisão geral anual.
Na prática, reajuste abaixo da inflação, ano após ano, não preserva o poder de compra. E chamar isso de “avanço” não resolve a parte que realmente pesa para quem recebe do magistério.
“Esforço progressivo” também vira problema
No fim da fala, Rute Costa disse que “não dá para fazer tudo de uma vez” e apelou para uma política gradual. O problema é que a progressividade só funciona quando os percentuais, somados ao longo do tempo, recompõem a inflação. Se os índices ficam sistematicamente abaixo dela, a consequência não é melhora contínua: é deterioração gradual do poder de compra.
Além disso, a vereadora criticou a forma do protesto, mencionando gritos e xingamentos nas galerias e pedindo “discussão” em vez de “gritaria”. Para quem acompanha o conflito, faz sentido lembrar o contexto: professores cobram reajuste real há anos, veem perda de valor a cada ciclo e ainda assistem ao plenário aprovar dezenas de pontos percentuais para os próprios parlamentares.
📊 O contraste em números
| Professores municipais | Vereadores de SP | |
| Último reajuste | 3,51% (parcelado até 2027) | 37% (aprovado em 2024) |
| Reajuste anterior | 2,55% (2025) | 26,34% (2016) |
| Cobre a inflação? | Não — perda real segundo o Sinpeem | Sim — com ampla margem |
A greve continua: Sinpeem vê perda salarial real
O Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo) confirmou que a greve segue após a aprovação da lei. Para a entidade, o percentual aprovado representa perda salarial real e não atende às demandas históricas por uma política estrutural de valorização do magistério.
A crítica do sindicato vai além do percentual. Segundo o Sinpeem, a categoria precisa de valorização de verdade — e não de abonos, contratos temporários prorrogáveis ou reajustes que fiquem, de forma contínua, aquém da inflação.
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📄 Contexto — Lei nº 18.463/2026
| Lei | Lei Municipal nº 18.463/2026 |
| Sanção | 13 de maio de 2026 — Ricardo Nunes (MDB) |
| Reajuste aprovado | 3,51% total — parcelado em 2026 e 2027 |
| Posição do Sinpeem | Abaixo da inflação — greve mantida |
| Reajuste dos vereadores (2024) | 37% — salário acima de R$ 26 mil |
O post “Você querem passar 8 anos sem aumento? Vem ser vereador, então!”, diz vereadora do PL ao defender reajuste abaixo da inflação para professores apareceu primeiro em PEBSP – Portal de Educação.




