A educação inclusiva ganhou mais força no Congresso Nacional. Nesta quarta-feira (17), a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal aprovou o Projeto de Lei 365/2026. A regra exige que as escolas incluam ações voltadas ao atendimento de estudantes com deficiência e alunos com necessidades específicas dentro dos projetos pedagógicos.
Agora, o texto segue para análise da Comissão de Educação (CE). Se avançar nas próximas etapas, a proposta pode ajudar a transformar inclusão em algo concreto e permanente na rotina escolar, não só em discurso.
O projeto é de autoria do senador Romário (PL-RJ) e teve parecer favorável do senador Flávio Arns (PSB-PR), reconhecido por atuar em políticas ligadas à educação inclusiva e pelos direitos das pessoas com deficiência.
O que prevê o projeto de educação inclusiva?
O PL 365/2026 altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – Lei nº 9.394/1996). Com isso, fica obrigatório que os projetos pedagógicos das instituições de ensino tragam medidas voltadas à inclusão escolar.
Entre as exigências, entra a institucionalização do atendimento educacional especializado. O texto também determina a oferta de serviços, recursos e adaptações necessários para garantir que o estudante tenha acesso, consiga permanecer na escola e aprenda.
Esse atendimento educacional especializado reúne estratégias, recursos pedagógicos e ações para remover barreiras que dificultem a participação dos alunos no ambiente escolar.
Na prática, a proposta tenta tirar a inclusão do campo “genérico” e levar o tema para o planejamento oficial de cada escola, com previsão clara dentro do projeto pedagógico.
Currículos e avaliações poderão ser adaptados
O projeto também prevê flexibilização de currículos e de como as aulas acontecem. O texto cita a possibilidade de ajustar metodologias de ensino, recursos educacionais e até os processos de avaliação.
Com isso, as escolas podem criar estratégias pedagógicas mais alinhadas às necessidades individuais dos estudantes. A ideia é aumentar as chances de aprendizagem e reforçar a igualdade de oportunidades.
Especialistas em educação defendem que adaptações pedagógicas ajudam alunos com deficiência ou necessidades específicas a participarem de verdade das atividades escolares e a desenvolverem o próprio potencial acadêmico.
Projeto mantém essência de proposta aprovada pelo Senado
Segundo o relator Flávio Arns, o PL 365/2026 corresponde a uma versão substitutiva aprovada pela Câmara dos Deputados. Esse texto substitui um projeto que já havia sido aprovado pelo Senado em 2016.
O senador explicou que a proposta original tinha um alcance maior e previa alterações adicionais tanto na LDB quanto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Só que, na avaliação apresentada, parte relevante dessas medidas já entrou na legislação brasileira com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015). A lei garante o direito à educação inclusiva e prevê mecanismos de apoio aos estudantes com deficiência.
Por isso, a Câmara decidiu manter apenas os dispositivos que considera necessários para complementar o marco legal já existente.
Relator destaca compatibilidade com a legislação atual
No parecer aprovado pela Comissão de Direitos Humanos, Flávio Arns destacou que o texto preserva o núcleo central da proposta original. Também ressaltou que a regra reforça a necessidade de as escolas incorporarem ações inclusivas nos projetos pedagógicos.
A justificativa do senador aponta que a medida fica alinhada com o que já vale na legislação e ajuda a fortalecer políticas públicas para a inclusão educacional.
Durante a reunião da CDH, a leitura do relatório foi feita pela presidente da comissão, senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Inclusão escolar ganha força no Brasil
Nos últimos anos, a educação inclusiva tem aparecido com destaque nas discussões sobre qualidade de ensino e sobre garantia de direitos.
A legislação brasileira já trata a educação inclusiva como princípio fundamental. Mesmo assim, especialistas apontam que ainda existe um gap entre o que está previsto e como as políticas funcionam na prática dentro das escolas.
A aprovação do PL 365/2026 entra nesse esforço para deixar a inclusão mais estruturada. A proposta quer assegurar que estudantes com deficiência e necessidades específicas tenham acesso a uma educação de qualidade, em igualdade de condições.
Próximos passos
Depois da aprovação na Comissão de Direitos Humanos, o projeto vai para a Comissão de Educação do Senado. A trajetória segue com análises nas etapas legislativas. Se passar e for aprovado definitivamente, a nova regra entra na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Quem quiser ver o texto completo pode consultar no portal oficial do Senado Federal: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/172594.
Um passo importante para a educação inclusiva
A aprovação do projeto mostra uma movimentação para fortalecer políticas de inclusão escolar no Brasil. A exigência de medidas concretas de atendimento especializado, adaptação curricular e apoio pedagógico mira a inclusão como prática de verdade no dia a dia das escolas.
Se a medida for aprovada em definitivo, a proposta pode beneficiar milhares de estudantes em todo o país. O objetivo é construir uma educação mais acessível, mais equitativa e mais alinhada aos princípios da inclusão.





