Professores da Educação Básica podem entrar em equipes de pesquisa sobre Educação Especial Inclusiva em um programa nacional lançado pela Capes em parceria com o MEC. O Edital Conjunto nº 5/2026 cria o Observatório da Educação Especial Inclusiva (Obeduc-EI), com projetos de 36 meses e bolsa mensal de R$ 1.100 para docentes da rede básica.
A chamada vai até 5 de outubro de 2026. A ideia é juntar redes regionais com instituições públicas de ensino superior, programas de pós-graduação e redes de ensino. E tem um ponto que pesa a favor de quem está na escola: o professor não precisa largar a prática pedagógica. A proposta é usar a experiência do dia a dia para gerar dados, materiais e políticas de inclusão mais conectadas à realidade.
O professor da Educação Básica terá papel na pesquisa
O Obeduc-EI foi pensado para aproximar a universidade das escolas públicas. Em vez de deixar tudo só na mão de pesquisadores acadêmicos, o edital abre espaço para a participação de quem lida diariamente com inclusão e com os desafios reais do Atendimento Educacional Especializado (AEE), de acessibilidade e da formação dos estudantes.
Dentro da equipe, o professor pode contribuir com relatos sistematizados, ajudar a levantar barreiras, analisar práticas pedagógicas e acompanhar projetos de intervenção. Ele também pode participar da avaliação dos materiais produzidos ao longo da pesquisa.
Além do trabalho direto, a equipe pode incluir ações formativas e discussões para entender como os resultados da pesquisa podem ser aplicados pela secretaria, pela escola e pela sala de aula.
| Possível contribuição docente | Exemplo na rede pública |
|---|---|
| Diagnóstico do território | Identificar barreiras de acesso, participação e aprendizagem. |
| Análise do AEE | Avaliar articulação entre sala comum, sala de recursos e família. |
| Formação docente | Testar e aperfeiçoar ações de formação continuada. |
| Materiais acessíveis | Validar recursos didáticos e tecnologias pedagógicas. |
Qual é o valor da bolsa para professores
O edital divide as bolsas por função e nível de formação. Para professores da Educação Básica, o valor mensal previsto é de R$ 1.100.
A bolsa está ligada à participação no projeto que for aprovado. Não vale como reajuste salarial nem como contratação automática para todos os docentes da rede.
| Perfil na equipe | Bolsa mensal |
|---|---|
| Professor da Educação Básica | R$ 1.100 |
| Professor pesquisador | R$ 1.800 |
| Coordenador local | R$ 2.000 |
| Coordenador-geral ou mestrando | R$ 2.100 |
| Doutorando | R$ 3.100 |
| Pós-doutorando | R$ 5.300 |
O valor de R$ 5.300 é o teto do programa, voltado para pós-doutorando. Esse número não é a remuneração prevista para o professor da Educação Básica. Vale ficar de olho para não criar expectativa errada com base na maior bolsa anunciada.
Acompanhe o PEBSP nos canais oficiais:
WhatsApp | Telegram | Instagram
Favorite o PEBSP no Google para receber novas oportunidades.
Como o professor pode entrar no programa
O Edital Conjunto nº 5/2026 não funciona como um “cadastro aberto” para qualquer docente. Para entrar, a proposta precisa ser apresentada por docente ou doutor ligado a um programa de pós-graduação stricto sensu em Educação ou Ensino, em uma instituição pública de ensino superior. Esse proponente organiza a rede regional, define o plano de trabalho e indica os integrantes da equipe.
Então, se você é professor e quer participar, o caminho é procurar universidades públicas, grupos de pesquisa, secretarias de Educação e programas de pós-graduação que estejam montando propostas. Leve sua experiência e a realidade da sua escola, e converse sobre quais temas fazem sentido para investigação.
A sua inclusão depende da composição final do projeto e da aprovação da proposta pela Capes.
Temas que podem ser pesquisados
O observatório deve produzir informações úteis para orientar o planejamento de políticas públicas. Dentro do recorte de trabalho docente, o edital lista frentes ligadas ao AEE, à formação continuada e às práticas inclusivas na classe comum. Também entram acessibilidade física e pedagógica, materiais didáticos, tecnologias assistivas e o acompanhamento da aprendizagem.
- Barreiras à participação e à aprendizagem;
- Articulação entre professores, AEE e famílias;
- Formação inicial e continuada para inclusão;
- Produção de materiais acessíveis;
- Indicadores de matrícula, permanência e aprendizagem;
- Políticas municipais e estaduais de Educação Especial.
Submissão é feita pelo SiCapes
As instituições precisam enviar as propostas pelo Sistema de Inscrições da Capes (SiCapes) até 5 de outubro de 2026. O professor da Educação Básica não deve preencher o sistema como se estivesse concorrendo diretamente à bolsa. Primeiro, ele precisa integrar uma proposta institucional, ou seguir as regras de seleção para entrar na equipe que forem divulgadas pelo projeto aprovado.
Prazo para as instituições: 5 de outubro de 2026
Acesse o SiCapes para a submissão da proposta. A participação docente ocorrerá dentro das redes selecionadas.
R$ 1.100
bolsa docente
36 meses
de pesquisa
5/10
prazo de submissão
O que muda na prática escolar
O Obeduc-EI pode dar mais visibilidade ao conhecimento que nasce dentro da própria escola. Em vez de a inclusão ficar só no discurso, a pesquisa tenta transformar o cotidiano em base para decisões e materiais que funcionem na ponta.
Na prática, o professor participa de atividades ligadas à produção de dados, ao acompanhamento de intervenções e à avaliação de recursos. Isso ajuda a aproximar a sala de aula das discussões sobre políticas públicas para Educação Especial Inclusiva.
Cuidados antes de demonstrar interesse
Antes de dizer “quero participar”, confira se a sua rede tem parceria com alguma universidade pública. Pergunte como será feita a composição da equipe e como o professor vai entrar no projeto.
Também vale checar a carga de trabalho, as atividades previstas e quanto tempo dura a bolsa dentro do projeto. Confirme se a rede precisa autorizar a participação e como ficam regras de acumulação com outras bolsas ou vínculos.
Como o caminho passa por articulação institucional e aprovação de projeto, a recomendação é acompanhar os grupos de pesquisa e as secretarias de Educação. Outra boa medida é consultar o portal oficial da Capes e ler o edital integralmente antes de se comprometer com qualquer etapa.
