Enade 2025: 31,9% no presencial x 12,3% na EaD no nível adequado

Enade 2025 diferença entre EaD e presencial
Imagem gerada por IA — Enade 2025 diferença entre EaD e presencial

Os resultados do Enade das Licenciaturas 2025 mostram uma diferença grande entre concluintes de cursos a distância (EaD) e presenciais. Segundo microdados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 12,3% dos participantes da EaD chegaram ao nível de desempenho considerado adequado, enquanto no presencial a proporção foi de 31,9%.

A comparação faz parte de uma nota técnica do Movimento Profissão Docente, construída com base em resultados de aproximadamente 196 mil concluintes. Os dados apontam uma relação entre modalidade de ensino e desempenho na prova. Mas, isoladamente, eles não provam que a modalidade seja a causa: outros fatores ligados aos estudantes e às instituições também podem pesar.

Enade 2025: presencial tem 2,6 vezes mais concluintes no nível adequado

O Inep separa o desempenho em três níveis: não proficiente, proficiente básico e proficiente adequado. O último indica que os concluintes demonstraram conhecimentos e habilidades compatíveis com o que se espera para atuar na docência.

No presencial, 31,93% atingiram o padrão adequado. Outros 41,95% ficaram no nível básico, e 26,12% foram classificados como não proficientes. Já na EaD, a distribuição foi diferente: 12,34% no adequado, 34,53% no básico e 53,13% no não proficiente.

ModalidadeNão proficienteBásicoAdequado
EaD53,13%34,53%12,34%
Presencial26,12%41,95%31,93%

Diferença aparece em diferentes partes da prova

O contraste entre as modalidades não aparece só no resultado geral. Na Formação Geral Docente, que reúne conhecimentos pedagógicos comuns às licenciaturas, 70,7% dos concluintes presenciais acertaram mais da metade das questões. Na EaD, o percentual caiu para 45,8%.

Na parte específica de cada área, a diferença também ficou clara: 65% dos participantes dos cursos presenciais acertaram mais da metade da prova, contra 41% entre os concluintes da modalidade a distância. A avaliação ainda incluiu uma questão discursiva sobre idadismo e integração intergeracional na escola.

12,3%
Desempenho adequado na EaD
31,9%
Desempenho adequado no presencial
196 mil
Concluintes avaliados

Resultados exigem interpretação cuidadosa

A análise liga as diferenças à necessidade de fortalecer experiências práticas, estágios supervisionados, acompanhamento acadêmico e interação com contextos reais de ensino. O documento também comenta que a EaD passou a responder por mais de 80% dos novos ingressantes em licenciaturas no país.

Mesmo assim, os números não autorizam conclusões do tipo “todo presencial forma melhor” ou “todo EaD tem qualidade baixa”. A comparação trabalha com médias de grupos grandes e não separa fatores como perfil socioeconômico, trajetória escolar, condições de estudo, área da licenciatura ou como cada instituição organiza sua formação.

No fim, o recado fica para a regulação e o acompanhamento da formação inicial docente. Quem quiser olhar a análise completa pode consultar a agenda do Movimento Profissão Docente.