Estudo com 214 professores: 78,5% confundem dislexia com inteligência

associação equivocada entre dislexia e inteligência
Imagem gerada por IA — associação equivocada entre dislexia e inteligência

Um estudo publicado na revista científica Reading and Writing avaliou o conhecimento de 214 professores brasileiros da rede pública sobre dislexia, fonologia e ensino da leitura. E um resultado acendeu alerta: 78,5% dos participantes associaram incorretamente deficiência de leitura à inteligência.

Estudo com professores brasileiros encontra confusão entre dislexia e inteligência

A pesquisa, publicada em 4 de setembro de 2026, contou com profissionais que trabalhavam com crianças de 4 a 10 anos. Entre eles, estavam alfabetizadores, docentes de educação especial, profissionais de salas de recursos, coordenadores e gestores escolares.

A amostra tinha perfil predominantemente feminino, idade média de 41,8 anos e mais de dez anos de experiência docente. Ou seja: não era um grupo “sem prática”.

Quando as perguntas focaram dislexia, a média de acertos ficou em 67,09%. Já no bloco sobre conhecimento fonológico, o desempenho caiu para 40,3%, com dificuldade maior na identificação de fonemas.

O que a pesquisa avaliou

Os pesquisadores aplicaram questionários sobre conhecimentos linguísticos, características e causas da dislexia e também sobre práticas de ensino da leitura. O ponto importante aqui: o estudo não mede a competência individual de todos os professores do Brasil inteiro, mas mostra o retrato de uma amostra de 214 profissionais de escolas públicas de uma cidade de porte médio em Minas Gerais.

Os autores destacam que a formação adicional apareceu como o fator mais ligado a um maior conhecimento sobre dislexia. Nas respostas abertas, o método global apareceu com frequência. Em contrapartida, práticas baseadas em fônica foram pouco mencionadas e, muitas vezes, descritas de forma imprecisa.

Amostra

214 professores de escolas públicas.

Dislexia

Média de 67,09% de acertos nas questões.

Dado principal78,5% fizeram associação equivocada com inteligência.

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Por que o dado importa para a alfabetização

A dislexia é uma dificuldade de aprendizagem com origem neurobiológica. Ela se relaciona, principalmente, com problemas persistentes na leitura e na escrita.

E tem um ponto que precisa ficar claro: dislexia não é sinônimo de baixa inteligência. A diferença entre “ter dificuldade na leitura” e “ser menos inteligente” muda tudo na hora de observar sinais, encaminhar estudantes e montar intervenções pedagógicas.

Os autores defendem formação continuada e políticas de alfabetização baseadas em evidências. A leitura final do artigo aponta que lacunas sobre fonologia, dislexia e ensino da leitura podem acabar afetando o tipo de apoio que chega aos alunos com dificuldades.

Estudo tem acesso aberto

Quem quiser conferir o trabalho completo encontra o artigo em acesso aberto, com detalhes sobre instrumentos usados, perfil dos participantes, resultados e limitações da pesquisa.

LER ESTUDO COMPLETO

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