MEC aponta que 52% dos cursos EAD de licenciatura têm nota ruim

cursos EAD de licenciatura nota Enade 1 ou 2
Imagem gerada por IA — cursos EAD de licenciatura nota Enade 1 ou 2

O Ministério da Educação soltou um alerta pesado sobre a formação de professores no Brasil, com foco na modalidade a distância. Segundo o levantamento divulgado nesta quarta-feira (20), Dia Nacional do Pedagogo, quase 52% dos cursos EAD de licenciatura receberam Conceito Enade 1 ou 2, ou seja: desempenho considerado insatisfatório.

No total, 682 cursos de formação docente a distância caíram nas duas faixas mais baixas do indicador nacional. O resultado reacende uma preocupação antiga de especialistas, especialmente com a expansão rápida do ensino remoto na formação de professores depois da pandemia.

Esses dados entram na avaliação do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). O cálculo foi feito com base no desempenho de concluintes que participaram da Prova Nacional Docente (PND), aplicada em outubro de 2025.

Cursos EAD concentram os piores resultados no Enade

Quando o MEC separa os resultados por modalidade, o contraste aparece logo. A diferença entre cursos presenciais e EAD voltados à formação de professores fica bem clara nos conceitos atribuídos.

Entre os 1.314 cursos de licenciatura a distância avaliados, a distribuição ficou assim:

  • 330 receberam Conceito 1;
  • 352 receberam Conceito 2;
  • 220 ficaram com Conceito 3;
  • 141 alcançaram Conceito 4;
  • Apenas 84 obtiveram Conceito 5.

Além disso, 187 cursos ficaram sem conceito porque não atingiram o número mínimo de estudantes concluintes com resultados válidos na prova.

Na prática, os números do MEC colocam mais da metade das licenciaturas EAD avaliadas na categoria de qualidade insatisfatória pelo indicador oficial.

O cenário também piora quando a análise entra no desempenho dos alunos na Prova Nacional Docente.

Enquanto 73,9% dos concluintes de licenciaturas presenciais foram considerados proficientes, apenas 46,9% dos concluintes de cursos EAD atingiram esse patamar na avaliação.

Presencial vai melhor: maioria dos cursos concentra conceitos altos

Já os cursos presenciais aparecem com desempenho bem superior, praticamente em todas as faixas do Conceito Enade. O MEC mostra que o volume de cursos com notas altas no presencial é muito maior.

Dos cursos presenciais avaliados:

  • 814 receberam Conceito 5;
  • 900 ficaram com Conceito 4;
  • 658 obtiveram Conceito 3;
  • 611 receberam Conceito 2;
  • 437 ficaram com Conceito 1.

Com base nisso, o levantamento indica que a maior parte das licenciaturas presenciais ficou dentro de faixas consideradas satisfatórias.

Especialistas em educação reforçam que esses dados sustentam uma preocupação crescente com a expansão acelerada do EAD na formação docente, sem garantia de qualidade pedagógica equivalente ao ensino presencial.

MEC já travou novas licenciaturas 100% EAD desde 2025

O debate sobre qualidade em licenciaturas a distância ganhou força nos últimos anos, principalmente depois do crescimento do ensino remoto durante e após a pandemia.

Desde 2025, o MEC proibiu a abertura de novos cursos de licenciatura totalmente EAD. Ou seja: só as turmas que já tinham começado antes da regra podem seguir até a conclusão dos estudantes que já estavam matriculados.

A decisão veio acompanhada de críticas ligadas principalmente à formação prática. Em áreas que pedem mais interação pedagógica, estágios supervisionados e experiências presenciais, especialistas apontam que o modelo 100% a distância pode não atender do jeito que deveria.

Agora, as avaliações divulgadas pelo MEC entram como mais um reforço nos argumentos usados pelo governo federal para endurecer regras do ensino superior a distância na formação de docentes.

Pedagogia e licenciaturas em várias áreas foram avaliadas

A Prova Nacional Docente avaliou cursos presenciais e EAD de diferentes áreas ligadas à formação de professores. O exame serviu para medir o nível de conhecimento dos concluintes e observar a capacidade dos futuros docentes de atuar na educação básica brasileira.

Entre as áreas avaliadas estão:

  • Pedagogia;
  • Matemática;
  • História;
  • Geografia;
  • Letras;
  • Filosofia;
  • Física;
  • Química;
  • Artes Visuais;
  • Ciências Biológicas;
  • Educação Física;
  • Computação;
  • Música;
  • Ciências Sociais.

Mesmo no geral, o resultado assusta especialistas

Mesmo somando os resultados de cursos presenciais e EAD, o quadro nacional ainda preocupa. O MEC mostra que a distribuição de conceitos não fica concentrada só nas faixas mais altas.

Dos 4.948 cursos avaliados:

  • 767 ficaram com Conceito 1;
  • 963 receberam Conceito 2;
  • 878 alcançaram Conceito 3;
  • 1.041 ficaram com Conceito 4;
  • 898 obtiveram Conceito 5.

Somando as faixas consideradas insatisfatórias (Conceito 1 e 2), o levantamento indica que quase 35% de todos os cursos de formação de professores do país ficou nesse grupo.

Com isso, o debate volta com força sobre a qualidade da formação inicial dos docentes. E isso pesa porque a formação inicial é vista como estratégica para melhorar indicadores de aprendizagem na educação básica.

Diferenças entre públicas e privadas também aparecem nos dados

Outro ponto que chama atenção é a diferença entre categorias administrativas das instituições de ensino superior. O percentual de concluintes considerados proficientes varia conforme o tipo de instituição.

O MEC apontou os seguintes percentuais:

  • 75,9% nas instituições públicas federais;
  • 73,3% nas públicas estaduais;
  • 70,8% nas comunitárias;
  • 46,5% nas instituições privadas.

Para especialistas, essa diferença evidencia o desafio do setor privado em garantir qualidade acadêmica, especialmente quando os cursos atendem um público grande em larga escala, como acontece com frequência na modalidade EAD.

Entenda o Conceito Enade: como a proficiência vira nota

O Conceito Enade mede o desempenho dos estudantes concluintes dos cursos superiores avaliados pelo MEC em exames nacionais.

O ponto central do cálculo é o percentual de alunos considerados proficientes em cada curso.

A classificação funciona assim:

  • Conceito 1: menos de 40% de proficiência;
  • Conceito 2: entre 40% e 59,9%;
  • Conceito 3: entre 60% e 74,9%;
  • Conceito 4: entre 75% e 89,9%;
  • Conceito 5: acima de 90%.

No balanço divulgado, o MEC destaca um dado direto: nenhum curso com Conceito 1 conseguiu atingir 40% de estudantes proficientes.

Já nos cursos classificados com Conceito 5, todos tiveram mais de 90% de concluintes demonstrando domínio adequado dos conteúdos avaliados.

Formação de professores volta ao centro das cobranças no país

Com os resultados divulgados, a tendência é aumentar a pressão por mudanças estruturais na formação docente no Brasil.

Entidades educacionais, pesquisadores e especialistas defendem mais controle de qualidade sobre cursos de licenciatura, principalmente no ensino a distância.

O debate também deve influenciar discussões futuras sobre políticas públicas de valorização docente, regulação do ensino superior e fortalecimento da educação básica.

Num cenário em que o país lida com déficit de professores, baixa atratividade da carreira e desafios de aprendizagem nas escolas, a qualidade da formação inicial dos educadores volta a ganhar prioridade nas conversas sobre o futuro da educação.

Áreas avaliadas e o objetivo da Prova Nacional Docente

A Prova Nacional Docente avaliou, além do perfil de conhecimentos, a capacidade de aplicação desses conteúdos na prática profissional futura, olhando para o contexto da educação básica brasileira.

As licenciaturas avaliadas cobrem um leque amplo de formação, incluindo áreas como Pedagogia, Matemática, História, Geografia, Letras, Filosofia, Física, Química, Artes Visuais, Ciências Biológicas, Educação Física, Computação, Música e Ciências Sociais.

Com isso, o MEC tentou medir o nível real de conhecimento dos concluintes e comparar resultados entre modalidades e tipos de instituições, usando o Conceito Enade como referência do desempenho.

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