PL 4.332/2024: comissão aprova hora-aula como base do cálculo da jornada

PL 4.332/2024: comissão aprova hora-aula como base do cálculo da jornada
Foto de Array via Pixabay

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4.332/2024, que muda a forma de calcular a jornada de trabalho dos professores. A ideia é usar a hora-aula como referência para a carga horária, inclusive quando a aula tiver duração menor que 60 minutos.

A proposta parte do deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ) e mexe na Lei do Piso do Magistério para fechar brechas na interpretação atual. Na visão de especialistas, essas brechas permitem aumentar o tempo em sala sem a compensação prevista para atividades fora da aula.

Entenda o que muda com a proposta

Com o texto aprovado, a carga horária docente passa a ser calculada com base na hora-aula, sem depender do tempo real de duração da aula. Na prática, uma aula mais curta continua entrando como tempo integral de interação com os estudantes.

O projeto também tenta garantir o formato da jornada que limita dois terços do trabalho em sala de aula. Assim, pelo menos um terço fica reservado para atividades extraclasse, como planejamento, correção de avaliações e formação continuada.

Brechas na legislação atual geram controvérsia

Hoje, a lei permite leituras diferentes sobre o cálculo da jornada. Em várias redes, estados e municípios acabam considerando os minutos que “sobram” fora do tempo considerado como aula como se fossem extraclasse, o que na prática altera a distribuição da carga.

Isso pode elevar o tempo gasto em sala e, ao mesmo tempo, diminuir o espaço destinado ao planejamento pedagógico. Mesmo com o Superior Tribunal de Justiça tendo rejeitado essa interpretação em 2024, a proposta quer deixar um dispositivo explícito na lei para evitar novas distorções.

O autor defende que a falta de clareza tem levado professores a assumirem mais turmas, com menos tempo para organizar as aulas e sem um aumento proporcional na remuneração.

Entidades defendem manutenção do tempo extraclasse

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação se posicionou a favor do projeto. O foco da entidade é manter a regra de um terço da jornada dedicado a atividades fora da sala de aula.

Segundo a entidade, esse tempo faz diferença no dia a dia do professor. Ele serve para planejamento pedagógico, avaliação dos estudantes e formação continuada dos docentes. Se esse período cai, a tendência é comprometer a qualidade do ensino.

Além disso, especialistas apontam que colocar excesso de carga em sala pode aumentar estresse e sobrecarga profissional. Esses fatores, na prática, pesam na permanência dos professores na carreira.

Tramitação segue para a CCJ

O texto aprovado foi um substitutivo apresentado pela deputada Lídice da Mata (PSB-BA), que consolidou os pontos centrais da proposta original. Agora, o projeto vai para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Como a tramitação ocorre em caráter conclusivo, a proposta pode avançar sem precisar de votação em plenário. Mesmo assim, para virar lei, ainda precisa passar pela Câmara e pelo Senado.

Impacto direto na rotina docente

Se a mudança for aprovada nas próximas etapas, a forma de calcular a jornada pode alterar a rotina de professores da educação básica. A proposta busca criar mais clareza para equilibrar o tempo em sala com as atividades pedagógicas essenciais que acontecem fora dela.

Com o avanço do texto, o debate sobre valorização docente, condições de trabalho e qualidade da educação pública volta a ganhar força. Esses temas continuam no centro das discussões educacionais no Brasil.

Mudança na hora-aula do professor
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