Projeto prevê mínimo de quatro horas semanais de planejamento em casa para professores

PL 3225/26 propõe reservar parte da jornada extraclasse ao trabalho domiciliar; a medida ainda tramita na Câmara e não está em vigor.

planejamento domiciliar para professores
Imagem gerada por IA — planejamento domiciliar para professores

O Projeto de Lei 3225/26, em análise na Câmara dos Deputados, propõe garantir aos professores da educação básica da rede pública um período mínimo de planejamento pedagógico em casa. Para jornadas de 40 horas semanais, a previsão é de pelo menos quatro horas; nas cargas horárias menores, o tempo seria calculado proporcionalmente.

De autoria dos deputados Idilvan Alencar (PSB-CE) e Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP), a proposta cria o chamado Planejamento Domiciliar Docente e altera a Lei nº 11.738/2008, conhecida como Lei do Piso Nacional do Magistério. O projeto ainda não foi aprovado: enquanto tramita no Legislativo, as regras atuais continuam valendo.

Como o PL 3225/26 propõe organizar a jornada docente

A legislação vigente determina que, no máximo, dois terços da jornada dos professores sejam destinados à interação com os estudantes. O terço restante é reservado às atividades extraclasse, entre elas planejamento pedagógico, correção de avaliações, registros escolares e acompanhamento da aprendizagem.

O projeto pretende destinar uma parcela desse período extraclasse ao trabalho realizado no domicílio do professor. Segundo a justificativa dos autores, a mudança busca oferecer melhores condições para tarefas que exigem concentração, sem diminuir o tempo de contato com os alunos nem eliminar os momentos de planejamento coletivo nas escolas.

Período mínimo varia conforme a carga horária

A quantidade de horas de planejamento domiciliar seria vinculada à jornada semanal do profissional. Para quem trabalha 40 horas por semana, o texto estabelece um mínimo de quatro horas em casa; para jornadas inferiores, o período seria proporcional à carga horária.

  • Jornada de 40 horas semanais: mínimo de quatro horas de planejamento domiciliar.
  • Jornadas inferiores a 40 horas: período calculado proporcionalmente à carga horária.
  • Redes estaduais e municipais: poderão conceder um período superior ao mínimo proposto.

A proposta não prevê redução da jornada total de trabalho. As horas em casa seriam parte do tempo já dedicado às atividades extraclasse, e não uma diminuição das obrigações profissionais.

Quais tarefas poderiam ser feitas em casa

O Planejamento Domiciliar Docente abrangeria atividades que podem ser realizadas individualmente e demandam organização, análise ou preparação. Entre os exemplos apresentados estão:

  • elaboração de planos de aula;
  • correção de provas e atividades escolares;
  • pesquisa e preparação de conteúdos pedagógicos;
  • preenchimento de diários eletrônicos;
  • produção de relatórios sobre os estudantes;
  • organização de atividades de acompanhamento da aprendizagem.

A proposta reconhece que o trabalho docente inclui tarefas realizadas fora da sala de aula, como preparar atividades, avaliar estudantes e registrar informações pedagógicas. O período domiciliar, porém, não substituiria o planejamento coletivo nem reduziria a interação entre professores e alunos.

Redes de ensino poderão ampliar o tempo domiciliar

O PL também permite que estados e municípios estabeleçam um período de planejamento domiciliar superior ao mínimo previsto. A adoção de condições mais amplas ficaria a critério das redes públicas, conforme suas necessidades e possibilidades administrativas.

Os autores defendem que uma distribuição mais clara do tempo extraclasse pode favorecer a preparação pedagógica e melhorar as condições de trabalho dos profissionais da educação, especialmente quanto às tarefas que podem ser executadas fora da escola.

Tramitação ainda precisa ser concluída

O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Educação e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados. Nesse tipo de tramitação, a proposta pode ser aprovada pelas comissões sem votação inicial no plenário, desde que sejam cumpridas as regras regimentais e não haja recurso para que o conjunto dos deputados examine o texto.

Para virar lei, o PL 3225/26 ainda precisa concluir a tramitação legislativa, com aprovação na Câmara e no Senado, além das demais etapas constitucionais aplicáveis. Até lá, a proposta não cria, por si só, um novo direito ao planejamento domiciliar, e permanecem em vigor as regras atuais sobre a jornada docente.

O texto poderá sofrer alterações durante a análise legislativa. Professores e redes de ensino podem acompanhar a tramitação para verificar mudanças e a definição sobre a proposta.

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