Os professores do Brasil aparecem entre os que menos ganham quando comparados a docentes de outros países. É o que mostra a edição de 2026 do relatório Education at a Glance, da OCDE, divulgada em 29 de setembro.
O levantamento junta dados internacionais sobre sistemas educacionais e inclui temas como financiamento, condições de trabalho, organização das escolas e, claro, a situação dos professores. Nesta edição, um dos pontos centrais é a escassez de professores.
Salário de professor no Brasil fica abaixo da média internacional
Segundo os números do relatório, um professor brasileiro no começo da carreira, atuando na rede pública e atendendo estudantes do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, recebe cerca de US$ 25,7 mil por ano. Em valores brutos, isso equivale a aproximadamente R$ 134 mil anuais.
Esse valor representa a remuneração considerada para professores dos anos iniciais e dos anos finais do ensino fundamental no Brasil. Na comparação feita no relatório, a distância em relação a países desenvolvidos fica bem clara.
Quando o foco vai para os anos finais do ensino fundamental, a média anual chega a US$ 47,7 mil na União Europeia. Entre os países que fazem parte da OCDE, a média anual fica em US$ 49,7 mil.
Na prática, os dados destacam uma diferença forte entre o que um professor brasileiro ganha no início e as médias observadas em outros contextos internacionais.
Diferença chama atenção no cenário internacional
Para a OCDE, a comparação ajuda a entender o tamanho do desafio que o Brasil enfrenta para valorizar a carreira docente. Com base nos valores do relatório, o salário anual inicial dos professores brasileiros fica em torno de pouco mais da metade do que aparece como média nos países da OCDE para os anos finais do ensino fundamental.
A diferença também aparece ao olhar para a média da União Europeia. Enquanto o docente brasileiro tem remuneração anual indicada em torno de US$ 25,7 mil, a média europeia fica em US$ 47,7 mil.
Vale lembrar que comparações internacionais de salário pedem cuidado. A própria OCDE destaca que fatores como custo de vida, poder de compra, jornada de trabalho, estrutura das carreiras e regras de remuneração mudam de um país para outro. Por isso, a organização usa metodologias para permitir comparações entre sistemas educacionais diferentes.
Brasil enfrenta também desafio de falta de professores
Os dados de remuneração aparecem dentro de uma edição que dá atenção especial para a escassez de professores. A OCDE aponta que a dificuldade para atrair, desenvolver e manter profissionais na carreira docente atinge diferentes sistemas educacionais.
Esse problema fica ainda mais relevante em certas áreas e regiões, onde a necessidade de professores se torna mais difícil de atender.
Nesse cenário, salário não é o único detalhe que pesa. O relatório coloca no mesmo contexto formação, jornada, ambiente de trabalho, progressão profissional e também as condições oferecidas pelas redes de ensino.
No Brasil, a remuneração da educação básica pública segue um modelo descentralizado. Ou seja: estados, Distrito Federal e municípios definem seus próprios planos de carreira. A legislação nacional estabelece o piso salarial profissional, mas o restante da estrutura da carreira e outros componentes da remuneração dependem das redes de ensino.
O que os dados da OCDE revelam
No fim das contas, o Education at a Glance 2026 reforça a distância entre o começo da carreira no Brasil e as médias internacionais. Para quem acompanha a educação pública, esses números ajudam a enxergar um dos desafios mais difíceis: tornar a profissão mais atrativa e fortalecer a valorização.
O tema ganha ainda mais peso por causa do cenário de escassez de professores destacado pela OCDE. A organização chama atenção para a necessidade de enfrentar dificuldades para conseguir e manter profissionais qualificados, principalmente em disciplinas específicas e em comunidades que sentem mais a falta.
O relatório é uma das principais referências para acompanhar indicadores educacionais. Ele foi divulgado em 29 de setembro de 2026 e reúne centenas de páginas com dados de educação em países da OCDE e em outras economias participantes.
Para os professores brasileiros, os números puxam o debate de novo para a remuneração e para os desafios de atratividade da carreira. Mesmo levando em conta diferenças econômicas entre os países, a comparação mostra uma distância expressiva entre o que se registra no Brasil e o que aparece em outras economias.





