Unesco estima que mundo precisará de 50 milhões de professores até 2030

Levantamento aponta que 58% da demanda será para substituir docentes que deixam a profissão e relaciona valorização e condições de trabalho à permanência na carreira.

falta de professores no mundo
Imagem gerada por IA — falta de professores no mundo

O mundo precisará de mais 50 milhões de professores até 2030 para garantir acesso universal à educação pré-primária, primária e secundária, calcula a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A estimativa, divulgada em 5 de outubro de 2026, indica que será necessário acrescentar um docente para cada dois que já atuam no setor: atualmente, há 107 milhões de professores no mundo.

O principal desafio apontado pela organização é manter os profissionais na carreira. Segundo a ficha técnica, 58% dos professores necessários até o fim da década deverão repor aqueles que deixarem a profissão. O levantamento também reúne dados sobre evasão, reconhecimento social, remuneração e carga de trabalho, além de recomendações para governos e parceiros.

Reposição representa 58% da necessidade de docentes

A ficha foi elaborada pelo Instituto de Estatística da Unesco (UIS) e pela Força-Tarefa Internacional sobre Professores para a Educação 2030. O documento examina como os docentes são valorizados, apoiados e remunerados, seis décadas depois da adoção da Recomendação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Unesco sobre a Situação do Pessoal Docente, em 1966.

De acordo com os dados, a maior parte da necessidade global de novos profissionais não decorre apenas da expansão do acesso à educação ou do aumento de matrículas. A reposição de quem abandona a docência corresponde a 58% da demanda projetada até 2030, o que coloca a permanência na carreira entre os pontos centrais para enfrentar a falta de professores.

Evasão é maior na educação pré-primária

As taxas de saída da profissão variam conforme a etapa de ensino. A evasão anual indicada pela ficha técnica é de 7,2% na educação pré-primária, 5,4% no ensino secundário e 4,7% no ensino primário. O índice mais elevado, portanto, está entre os docentes que trabalham com as crianças menores.

Reconhecimento profissional está ligado à intenção de permanecer

Para tratar da valorização social, a Unesco cita resultados da pesquisa TALIS 2024, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em 75% dos países participantes, menos de 40% dos professores afirmaram sentir que a profissão é valorizada pela sociedade.

Os dados também apontam uma associação entre reconhecimento e intenção de continuar na docência: entre os profissionais que se sentiam valorizados, a probabilidade de pensar em deixar a carreira nos cinco anos seguintes era mais de 10% menor. A ficha apresenta essa percepção como um fator relacionado à permanência, sem reduzir o problema da evasão a uma única causa.

Remuneração e carga de trabalho entre os desafios

Na educação pré-escolar e no ensino primário, os professores recebem salários um pouco inferiores aos de outros profissionais com qualificação semelhante. Entre os 68 países analisados, em dois de cada cinco os salários docentes ficam abaixo da remuneração de profissionais com a mesma formação em todos os níveis de ensino.

A jornada também é um ponto destacado. Em média, os professores passam 19 horas semanais em sala de aula, mas trabalham cerca de 60 horas no total. Segundo a Unesco, boa parte do tempo restante é dedicada à preparação de aulas, à correção de provas e a tarefas administrativas, muitas vezes sem remuneração.

No ensino primário, a média global é de 28 alunos por professor formado, a proporção mais alta entre as etapas de ensino consideradas. O dado compõe o quadro de condições de trabalho analisado pela ficha técnica.

Unesco recomenda participação docente e melhores condições

O documento reúne medidas práticas para governos e parceiros com o objetivo de fortalecer a profissão e apoiar a permanência dos docentes. As recomendações incluem:

  • garantir aos professores participação na formulação de políticas;
  • estabelecer padrões profissionais e planos de carreira;
  • oferecer salários competitivos e incentivos direcionados a escolas de difícil provimento;
  • tornar as escolas mais seguras e acolhedoras;
  • reduzir a carga de trabalho desnecessária.

Evento em Paris marca revisão da recomendação de 1966

A divulgação dos dados integrou as atividades do Dia Mundial dos Professores de 2026, realizado na sede da Unesco, em Paris, com a participação de ministros, professores e especialistas. A celebração foi organizada conjuntamente pela Unesco, pela OIT, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Internacional da Educação. O tema foi “Ao lado dos professores: 60 anos protegendo a profissão, promovendo seu status e moldando nosso futuro”.

Na ocasião, Unesco e OIT também iniciaram uma revisão conjunta da Recomendação de 1966. O trabalho será conduzido por um Grupo Independente de Especialistas até meados de 2027. A iniciativa busca apoiar os países na ampliação da oferta de professores qualificados e motivados, com atenção especial à África, à inclusão, à sensibilidade de gênero e às tecnologias digitais.

Fonte dos dados

As informações foram divulgadas pela Unesco em comunicado sobre a nova ficha técnica, publicado em 5 de outubro de 2026 e atualizado em 13 de outubro de 2026. O material se baseia no levantamento do Instituto de Estatística da Unesco, da Força-Tarefa Internacional sobre Professores para a Educação 2030 e na pesquisa TALIS 2024, da OCDE. O comunicado pode ser consultado na página oficial da Unesco.

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