Bets podem afetar até 2 milhões no ensino superior: estudo

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O crescimento das apostas online (bets) está chamando atenção no ensino superior. Pesquisas do setor educacional estimam que cerca de 2 milhões de brasileiros podem ter a trajetória acadêmica afetada por causa do dinheiro comprometido com apostas.

Esses dados saíram de levantamentos reunidos a partir de pesquisas da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), em parceria com a Educa Insights, e do Instituto Semesp. A ideia central é que os gastos com bets entram como mais uma pressão em cima de dificuldades financeiras que muita gente e suas famílias já enfrentam.

O impacto também não fica só no grupo que pretende ingressar na faculdade. Ele pode atingir tanto quem ainda está pensando em começar uma graduação quanto estudantes que já estão matriculados, principalmente em instituições de ensino superior privadas.

Quase 1 milhão de potenciais estudantes pode deixar de matricular

Uma pesquisa da Abmes com a Educa Insights estima que 986 mil potenciais ingressantes poderiam não efetivar a matrícula em 2026 por causa dos gastos com apostas.

Esse número mira pessoas que até pretendem entrar numa graduação, mas que acabam ficando com o orçamento apertado porque direcionam recursos às plataformas de bets.

O problema, porém, vai além dos candidatos. Entre quem já frequenta o ensino superior, 14% dos entrevistados disseram que atrasaram mensalidades ou até trancaram o curso por causa dos gastos com apostas.

Como a rede privada tem mais de 8 milhões de matrículas, aplicar esse percentual coloca o impacto em um patamar acima de 1,1 milhão de estudantes. Quando somam os potenciais ingressantes que podem desistir, os levantamentos apontam aproximadamente 2 milhões de pessoas potencialmente afetadas.

Apostas online viram mais uma pressão no orçamento da educação

As pesquisas deixam claro que bets não aparecem como a única causa das dificuldades financeiras de estudantes. Renda familiar, situação profissional, custo de vida, mensalidades e outras despesas também pesam na decisão de iniciar ou continuar uma graduação.

O que as pesquisas destacam é que o dinheiro destinado às apostas pode virar mais uma pressão no orçamento familiar.

Para quem pretende entrar no ensino superior, esse comprometimento da renda pode atrapalhar a decisão de realmente fazer a matrícula. Para quem já está no curso, o efeito pode aparecer no pagamento das mensalidades e nos outros custos ligados à formação.

Além da mensalidade, muitos universitários já têm gastos com transporte, alimentação, materiais acadêmicos, moradia e equipamentos. Se parte da renda vai para apostas, sobra menos fôlego para o resto do pacote do dia a dia.

Instituições privadas dizem que já veem relação com inadimplência

Outro levantamento, feito pelo Instituto Semesp, amplia a preocupação. Segundo a pesquisa, 19,1% das instituições privadas consultadas afirmaram ter observado relação entre apostas online e inadimplência de estudantes.

Esse dado sugere que o tema começa a aparecer dentro das próprias instituições, principalmente quando os gastos com bets surgem junto com dificuldades para manter os compromissos financeiros da graduação.

Ao mesmo tempo, isso não significa que toda inadimplência tenha origem nas apostas. O problema financeiro pode acontecer por vários fatores ao mesmo tempo.

Impacto também pode bater em quem usa Prouni e Fies

O comprometimento da renda pode ficar ainda mais forte para estudantes que dependem de políticas públicas de acesso ao ensino superior, como o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Mesmo quando o aluno conta com bolsa ou financiamento, a graduação não vira “custo zero”. Existem despesas do cotidiano universitário que geralmente não são cobertas integralmente por esses programas.

No caso do Prouni, por exemplo, a bolsa está ligada às mensalidades. Só que o estudante pode seguir tendo gastos com transporte, alimentação, materiais e outras necessidades.

No Fies, o financiamento também não elimina automaticamente todos os custos da vida universitária. Com isso, a renda comprometida pode dificultar a permanência no curso mesmo para quem recebe algum tipo de apoio para pagar a graduação.

Além disso, algumas políticas educacionais têm critérios socioeconômicos próprios. Mudanças na composição da renda da família ou na situação financeira do estudante podem exigir mais atenção às regras de cada programa.

Bets entram no debate sobre permanência no ensino superior

Com esses levantamentos, o debate sobre os efeitos das apostas online entre estudantes brasileiros ganha peso. Não se trata apenas de impacto financeiro individual. O fenômeno pode refletir em decisões como matrícula, pagamento de mensalidades e continuidade dos estudos.

Os dados também reforçam a necessidade de planejamento financeiro durante a graduação. Para quem já trabalha com um orçamento apertado, direcionar dinheiro para apostas pode reduzir a capacidade de bancar o que é essencial para estudar.

Mesmo assim, vale interpretar as estimativas com cuidado. Os números representam potenciais impactos identificados pelos levantamentos, e não permitem afirmar que as apostas sejam a causa isolada de abandono ou inadimplência no ensino superior.

O ponto central indicado pelos estudos é que os gastos com bets podem se somar a outros fatores econômicos e criar uma dificuldade a mais para quem quer entrar ou permanecer na universidade.

Estudo aponta que gastos com bets podem afetar cerca de 2 milhões de estudantes